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Filantropia amplia acesso, conhecimento e capacidade de cuidar na Santa Casa de Misericórdia da Bahia

  • Por: Ahfip
  • Eclipse laranja
  • 28 de agosto de 2026
  • Eclipse laranja
  • 6 min de leitura
Filantropia amplia acesso, conhecimento e capacidade de cuidar na Santa Casa de Misericórdia da Bahia

Na Santa Casa de Misericórdia da Bahia, a filantropia se traduz em uma atuação que vai além da assistência e alcança saúde, educação, formação profissional, cultura e desenvolvimento social. Com presença em diferentes frentes, a Instituição busca transformar recursos, conhecimento e experiência em oportunidades e acesso para milhares de pessoas.

Conversamos com Eduardo Queiroz, CEO da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, que compartilhou como essas iniciativas refletem o compromisso e mostram que a atuação filantrópica pode contribuir para o fortalecimento do sistema de saúde. Na entrevista, o executivo aborda os impactos da Instituição na comunidade, os avanços de gestão impulsionados pela participação na Ahfip e projetos que ampliam a capacidade assistencial, como os investimentos em Medicina Nuclear, Cirurgia Robótica e Transplante de Medula Óssea.

Quais projetos ou cases o hospital poderia compartilhar relacionados ao impacto da filantropia na comunidade assistida?

A filantropia da Santa Casa de Misericórdia da Bahia se traduz em presença permanente onde ela é mais necessária. Hoje, esse compromisso alcança mais de 440 mil pessoas por ano, nas áreas de saúde, educação, assistência e cultura.

Na saúde, o principal impacto está no Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital Santa Izabel, o Hospital Municipal de Salvador e o Hospital Municipal de Catu, estas duas últimas unidades públicas geridas pela Santa Casa, integram a rede do SUS e ampliam o acesso da população a serviços de diferentes níveis de complexidade. E esse compromisso vai além da assistência. Investimos continuamente em tecnologia, formação e qualificação para oferecer um cuidado cada vez mais seguro, eficiente e preparado para os desafios da saúde.

Na educação, a filantropia ganha outra dimensão. A Faculdade Santa Casa oferece mais de 340 bolsas gratuitas e forma profissionais para o futuro da saúde. No Bairro da Paz, iniciativas de alimentação, educação, arte e qualificação profissional apoiam crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade e ajudam a abrir novas perspectivas. São investimentos que começam na necessidade concreta, mas procuram produzir autonomia e oportunidade.

O impacto também alcança a economia, a cultura e a formação de capital humano. São mais de 6.200 empregos, décadas dedicadas à formação de profissionais de saúde e equipamentos como o Museu da Misericórdia, que recebe mais de 84 mil visitantes por ano.

Em tudo isso, há uma ideia que nos orienta: reconhecer as necessidades, compartilhar o que sabemos e transformar nossa experiência em serviço. É assim que entendemos a filantropia. Não apenas como assistência, mas como uma forma de ampliar acesso, formar pessoas, criar oportunidades e contribuir para o desenvolvimento da sociedade. No fim, é isso que queremos: fazer com responsabilidade aquilo que sabemos fazer e colocar essa capacidade a serviço da população. Servir bem é a medida mais concreta desse compromisso.

Que avanços em gestão foram impulsionados por iniciativas com apoio da Ahfip?

A participação na Ahfip tem ampliado a possibilidade de aprender com instituições que enfrentam desafios semelhantes aos nossos e, a partir dessa troca, tomar decisões mais consistentes e sustentáveis. Um exemplo está em contratos associativos por meio do GT de Suprimentos que trabalha para reduzir os custos, aumentar o portfólio e consequentemente a oferta de produtos de qualidade reconhecida. Já participamos de processos que produziram resultados econômicos relevantes e temos novas categorias em avaliação. O mais importante, porém, não é apenas a escala de negociação. É o processo de decisão. Antes de aderir a uma oportunidade, avaliamos aspectos técnicos, assistenciais, logísticos e financeiros. Assim, eficiência econômica não se sobrepõe à qualidade, à segurança ou à sustentabilidade.

O GT de Engenharia Clínica vem construindo referências e indicadores comuns para a gestão dos parques tecnológicos e avaliando possibilidades de atuação conjunta na manutenção de equipamentos médico-hospitalares. Ainda em desenvolvimento, mas já permite comparar práticas e compreender melhor custos, desempenho e ciclo de vida dos equipamentos.

É uma contribuição importante da Ahfip: aproximar instituições que, embora tenham histórias e estruturas diferentes, lidam com muitos dos mesmos desafios. Essa troca ajuda a acelerar aprendizados, testar caminhos e tomar decisões melhores. Para uma instituição filantrópica, isso tem um significado muito concreto. Recursos economizados em uma boa negociação ou melhor administrados na gestão de ativos podem voltar para a assistência, a inovação e o cuidado. 

Quais são os próximos passos Hospital Santa Izabel e como tem se preparado para os desafios da saúde nos próximos anos?

Há um movimento que traduz bem o momento da Santa Casa de Misericórdia da Bahia: a incorporação contínua de conhecimento, tecnologia e novas capacidades assistenciais. Não nos acomodamos. Seguimos investindo para que uma instituição filantrópica secular esteja preparada para o que a saúde exige hoje e para o que exigirá amanhã.

Na Medicina Nuclear, o Hospital Santa Izabel tornou-se o primeiro hospital brasileiro a receber a certificação Theranostics Centre of Excellence, concedida pela European Association of Nuclear Medicine a um grupo restrito de instituições no mundo. O reconhecimento é resultado de investimentos consistentes em tecnologia e conhecimento, que incluem um parque tecnológico 100% digital e ampliam a capacidade de integrar diagnóstico e terapias direcionadas, especialmente no tratamento do câncer.

Em Cirurgia Robótica, o Santa Izabel também vem avançando. Pioneiro na Bahia na incorporação da tecnologia à prática assistencial, hoje opera com duas plataformas robóticas de quarta geração e acaba de receber o Credenciamento Pleno da Sociedade Brasileira de Urologia para seu programa de treinamento e certificação em cirurgia robótica. É um reconhecimento que reúne três dimensões que consideramos fundamentais: assistência, formação e desenvolvimento científico.

O Transplante de Medula Óssea é outra frente que vem crescendo. O programa já ultrapassou 50 transplantes autólogos e se prepara para uma nova etapa, com a habilitação para transplantes alogênicos, ampliando a oferta de tratamentos de alta complexidade na Bahia. São projetos diferentes, mas todos partem da mesma decisão: investir para construir capacidade. Capacidade de formar pessoas, incorporar tecnologia, produzir conhecimento e ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade.

É esse o sentido que damos à filantropia: usar o que temos, o que sabemos e o que conseguimos construir para ampliar nossa capacidade de cuidar. O futuro não é destino. O futuro tem de ser construído.

 

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