Neste mês, conversamos com Valdesir Galvan, CEO da AACD, sobre os principais desafios de gestão enfrentados pelo Hospital Ortopédico AACD, a entrada na Ahfip e as perspectivas de colaboração entre os associados filantrópicos. Nesta entrevista, o executivo fala sobre o impacto da transformação tecnológica e a pressão por eficiência no setor de saúde.
Do ponto de vista de gestão, o que considera os principais desafios do Hospital Ortopédico AACD hoje?
O setor da saúde atravessa uma revolução tecnológica sem precedentes. No âmbito da transformação digital e inovação, nosso desafio central é a incorporação estratégica de tecnologias, como a Inteligência Artificial, para elevar os padrões de qualidade e segurança para o paciente, além de otimizar processos internos. Já integramos robótica e realidade virtual em reabilitações e cirurgias ortopédicas de alta complexidade e seguimos com o foco contínuo em transformar inovação em valor clínico e eficiência operacional.
Com o mercado de saúde cada vez mais verticalizado e margens pressionadas, além do alto índice de glosas, a gestão precisa ser impecável. Então, quando falamos de gestão da eficiência operacional, temos a necessidade rigorosa de redução de custos. Nosso desafio é otimizar a jornada do paciente e eliminar desperdícios, garantindo que cada recurso — vindo de doações ou arrecadado por meio da prestação de serviços ao setor privado — seja convertido no maior volume possível de atendimentos filantrópicos com a qualidade que não abrimos mão.
Do ponto de vista de retenção de talentos, a complexidade dos casos atendidos no Hospital Ortopédico AACD exige um corpo clínico e assistencial com alta especialização em reabilitação e ortopedia. Por isso, o desafio de gestão consiste em investir continuamente na formação de novos talentos — já que a Instituição é referência técnica no setor — e criar condições para retê-los. Garantir a permanência desses profissionais em um mercado competitivo é fundamental para preservar o conhecimento institucional e assegurar a qualidade e a humanização no atendimento dos pacientes.
Há alguma melhoria observada após a entrada do Hospital Ortopédico AACD na Ahfip e que pode destacar?
A filiação à Ahfip, em agosto de 2025, representou um marco estratégico para o Hospital Ortopédico AACD. Em um cenário de crescente verticalização do setor de saúde, a união das grandes instituições filantrópicas de excelência é a resposta necessária para garantir a resiliência do ecossistema. O principal ganho imediato tem sido o benchmarking qualificado: compartilhamento de indicadores de qualidade, eficiência operacional e desfechos clínicos fortalecem nossa operação. Integrar a Ahfip nos permite validar nossa eficiência frente aos maiores players do País e colaborar para que a saúde filantrópica seja reconhecida por seu rigor técnico e de gestão.
Quais são as perspectivas para o futuro dessa parceria?
A Ahfip, ainda bastante recente, é uma iniciativa inovadora e essencial no mercado de saúde brasileiro. Há muito trabalho a se fazer e as perspectivas são bastante animadoras. Fazemos parte de um grupo seleto de entidades filantrópicas que se uniram para se fortalecer e trocar experiências. Nosso fundador, o Dr. Renato da Costa Bomfim, já dizia, lá nos anos 50 do século passado, que não se trata de fazer caridade ou filantropia e, sim, de encarar a saúde como uma questão prioritária no Brasil. E é isso que estamos fazendo juntos: unindo o que há de melhor nessa área.